25 años sin ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA


«Trova do Vento que
Passa»

Pergunto ao vento que passa


notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam


levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa

por que vai de olhos no chão.
Silêncio — é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos


vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.


Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem

dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)


vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo

se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.


Peço notícias ao vento


e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste


em tempo de servidão


há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

música de António Portugal

canta: Adriano Correia de Oliveira



esta canción es la que nos da la bienvenida en la web dedicada a este cantor: 

Anuncios
A %d blogueros les gusta esto: